Desafrio Urubici 2017 – A inesquecível prova que eu não corri (parte 3) FINAL

E chegamos ao final da nossa aventura…

Finalmente, hoje chegamos ao último capítulo da série que conta nossa saga no Desafrio Urubici 2017. Se você não leu os episódios anteriores, clique e veja: episódio 1 , episódio 2.

A chegada

Descemos o morro e nos posicionamos bem na chegada. Era hora de receber os guerreiros que completavam os temidos 52k do Desafrio Urubici!

Não demorou muito e o primeiro guerreiro do nosso grupo chegou: Luiz Cláudio!

Luiz, do alto dos seus 49 anos mas que dá um banho em muito garotão por aí, é um exemplo de foco e determinação. É mais um grande amigo que a corrida me deu!

Pra vocês terem uma ideia, quando fiz a minha primeira maratona em 2015, ele correu a prova inteira ao meu lado apenas para me acompanhar e ajudar a concluir. E olha que menos de um mês antes, ele tinha encarado os mesmos 52k do Desafrio Urubici de 2015.

Ele concluiu a prova em um pouco mais de 6:30hs, baixando em quase 25 minutos seu tempo da prova de 2015! Mas seu grande desempenho não parou por aí…

No episódio 1 da nossa aventura sobre o Desafrio Urubuci 2017, eu contei que justamente no dia da prova ele completava 28 anos de casado com a nossa amiga Andrea, não? E vejam só a surpresa que ele aprontou na hora da chegada:

Uma bela homenagem!

Haja coração, meus amigos!

Uma emoção diferente a cada chegada

Continuamos posicionados na linha de chegada esperando o resto da nossa galera. Enquanto eles não chegavam, fomos acompanhando a chegada de cada guerreiro que completava os 52k do Desafrio Urubici.

Ficar ali naquele local vendo a chegada de uma prova dessas é um teste para o coração! Cada um que chegava, sentíamos uma emoção diferente. Seus rostos carregavam a dor e a emoção de concluir uma ultra maratona deste nível. Todos faziam questão de aplaudir efusivamente cada um que passava por ali.

Lembram do rapaz que falei no episódio 2, que estava meio desnorteado e dizia que os ventos do morro da Igreja eram assustadores e que pareciam um filme de terror? Pois bem, após a sua chegada ele me olhou e disse: “não era você que estava lá no alto e me deu um copo de coca-cola? Cara, você me ajudou muito!” E me deu um abraço agradecendo! Pessoal, mesmo sendo clichê, isso não tem preço!

Nossa turma chegando

Pouco mais de uma hora após a chegada do Luiz, nossa galera foi chegando, um a um.

Primeiro foi a vez de Zé Augusto, o cara que era só “pai da minha amiga” que virou meu grande amigo. Outro cara fantástico, que me ajudou muito quando comecei a correr e me ajuda até hoje. Suas palavras e seus conselhos (seja pra corrida ou mesmo pra vida) são sempre um incentivo!

Depois, foi o Jorge Ricardo, que antes da prova ficou tirando sarro com o Luiz dizendo que ia esperá-lo por uma hora na linha de chegada como presente de casamento, e chegou quase uma hora e meia depois dele. Claro, que isso foi, e ainda é motivo de zoação até hoje em nosso grupo!

Em seguida chegou o Delphinus, o nosso Dedé. Com toda seu “garbo e elegância” em seus quase 60 anos, colocou mais um Desafrio Urubici em seu currículo. Um grande exemplo pra mim!

Por último, mas não menos importante, chegou a nossa anfitriã Marayse. Sem treinar praticamente nada, Marayse (que correu com a inscrição do amigo Ricardo Hoffmann que estava se sentindo mal) completou a prova com um sorriso no rosto de dar inveja!

Na ordem: Zé Augusto, Ricardo, Delphinus e Marayse. Nosso campeões!

E a festa continua…

Passada a euforia pela chegada de todos, era hora de continuar a festa! Desta vez, antes de voltarmos até a nossa base fomos na casa da “Tia Helena”, que pra variar nos recebeu com muito amor e carinho e com uma mesa pra lá de farta!

Pudemos provar a famosa Paçoca de Pinhão, da qual ouvimos falar maravilhas durante seis meses. E não era pra menos… A iguaria típica é simplesmente fantástica!

Mais tarde, voltamos para a nossa base em Rio Rufino para terminar as comemorações.

Lá estavam toda a família da Marayse (seus pais, seu irmão e sua cunhada) e mais uma penca de outros amigos. Foi uma comemoração pra lá de animada regada com música, churrasco, comidas típicas, e é claro, muito vinho e muita cerveja!

Enquanto conversávamos e riamos lembrando das histórias da prova, eu sentia uma baita inveja das dores que eles sentiam. Pode parecer meio complexo, mas talvez só quem corre possa entender. Eu queria estar sentindo aquelas dores por ter concluído a prova e não por estar lesionado!

A surpresa final!

Pensam que a emoção acabou? Não, ainda tinha mais!

A mãe da Marayse, Dona Sandra, preparou uma surpresa que deixou todos aos prantos… de emoção!

Sem a nossa galera saber, ela chamou um padre até a sua casa para celebrar uma linda cerimônia de renovação de votos de casamento do Luiz e Andrea, em sua pequena e charmosa capela do lado externo da casa.

Não preciso nem falar o quão emocionante foi, não?

Cerimônia de renovação dos votos. Pura emoção!

E chegou ao fim o Desafrio Urubici 2017…

Domingo de manhã. É hora de arrumar as malas para voltar para casa, infelizmente!

Mas não sem antes agradecer por tudo que esta maravilhosa família fez por todos nós. Durante os 4 dias de estadia, Seu Ricardo, Dona Sandra, Felipe, Marayse, Tia Helena e todos os outros fizeram nos sentir totalmente em casa. Falava com a Duda que tinha momentos que ficava até sem graça de estar sendo tão bem tratado.

Pareciam amigos de longa data… E eu tenho certeza que serão! Ganhamos uma nova família!

Quando lá no começo do episódio 1 comecei dizendo que a minha melhor experiência esportiva era uma prova que eu não tinha corrida nem 2k, era disso que eu estava falando.

Trail Run é muito mais do que uma simples corrida.

Trail Run é amizade, é respeito, é companheirismo, é superação. É fazer o bem sem olhar a quem!

Hora da despedida. O corpo partiu, mas o coração ficou lá em Santa Catarina.

Compromisso 2018

Assumi o compromisso de voltar para o Desafrio Urubici 2018. Mas desta vez vai ser pra fazer os 52k!

Vou me cuidar e me preparar adequadamente para completar a minha primeira ultra maratona e buscar minha medalha que ficou por lá. Questão de honra!

E também será um prazer retornar pra reencontrar o que já considero meus grandes amigos, pois amizade verdadeira não é ser inseparável. É estar separado, e nada mudar.

Seja Trail Run!

Até a próxima!

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