Desafrio Urubici 2017 – A inesquecível prova que eu não corri (parte 2)

E chegou o dia do Desafrio Urubici…

Na postagem anterior sobre o Desafrio Urubici 2017, terminamos no dia da prova. Se você não viu, clique aqui para ler.

Se já leu, embarque nesta aventura!

Juntamos os carros e partimos em direção a Urubici. No trajeto, que durava cerca de 40 minutos em estrada de chão, fui lembrando cada dia de treinamento, cada subida e cada descida que fiz com esforço e o quão decepcionante era estar naquela condição naquele momento.

Chegamos no local de largada com bastante antecedência, como deve ser. Logo, um fato bem curioso me ocorreu… Pensei bastante antes de escrever isso aqui, mas acho que não tem problema!

Eu nunca havia utilizado o banheiro químico de prova pra fazer o chamado “número 2”. Mas desta vez, talvez estimulado pela comilança frenética e por não me “prevenir” antes (já que não iria fazer uma prova longa), foi inevitável. Acho que todo corredor já passou por isso não?! Foi a minha estréia!

Pensando no frio intenso, além da camisa térmica coloquei também calça e calça térmica. Mas, logo que chegamos lá vimos que desta fez o Desafrio Urubici não estava tão frio assim. Estava até bem tranquilo pra correr de short.

A largada

Chegava a hora da largada dos guerreiros dos 52k, e pontualmente às 7:30hs, eles partiram para sua batalha. Neste ponto, destaco a pontualidade da organização com a largada exatamente no horário previsto no regulamento. Em cada rosto, víamos expressões diferentes. Medo, empolgação, angústia, felicidade, receio… É impossível imaginar o que passa na cabeça de cada um!

A largada dos 10k era às 7:45hs, e logo, resolvi dar uma aquecida antes. Enquanto trotava, era impossível não olhar os ônibus da organização que iam levar o pessoal dos 25k pra largar lá no morro da igreja. Eu era pra estar ali! Vida que segue…

Às 7:45hs, mais uma vez pontualmente demos a largada para o meu “prêmio de consolação”, os 10k.

Hora da largada do meu “Prêmio de consolação”.

E o corpo não aguentou…

Fiz o primeiro km bem tranquilo, sem sentir dor. Demos uma volta e fomos novamente em direção ao pórtico de largada. Naquele momento, uma leve dor no local começou a me incomodar. Passei pelo amigo Felipe Souto que me perguntou se estava doendo. Respondi dizendo que só um pouco. Quem dera que fosse assim até o final.

Exato momento que a dor começou a aparecer.

Km 1,5. Cada passo era uma pedrada na minha perna. Não queria acreditar naquilo. Não podia acreditar naquilo. Todo o esforço pra nada, nem para o meu prêmio de consolação. Aproveitei que estava perto ainda da largada e parei. Não tinha como continuar. Era o fim do Desafrio Urubici 2017!

A caminhada de volta até a largada foi uma das mais longas que já fiz. Quanta coisa passava na cabeça! É muito decepcionante se sentir assim. Fico imaginando a dor de um atleta profissional que se lesiona às vésperas de uma competição.

Cheguei de volta e fui recebido com muito carinho pela minha Dudinha e pelo Felipe. Era o que eu precisava pra virar a chave e lembrar que minha missão não havia acabado ali. Muito pelo contrário, estava só começando. Era hora de ajudar o próximo!

Fim de prova!

Espectador privilegiado

Passada a tristeza, me posicionei perto da chegada pra acompanhar de perto o pessoal. Lá, pude acompanhar um fato muito curioso e diferente, que jamais havia visto em prova alguma. O primeiro lugar geral dos 10k fui uma mulher… e o terceiro também! Fiquei muito feliz com isso, a mulherada está cada vez mais tomando o espaço e mandando muito bem!

Gente, é muito lindo ficar ali na chegada presenciando a emoção de cada um, não importa a distância e dificuldade da prova. Cada chegada é uma história, é um esforço é uma vida diferente.

Vi nossa amiga Andrea chegar e completar sua primeira prova de trail! Vi também a nossa outra guerreira, a Glória, completar a prova chorando e com muitas dores, causadas por uma lesão às vésperas da prova. Vi também tantas outras pessoas chegando com muita alegria e emoção. Pessoas estas que eu nem sei das suas histórias, mas que com certeza são de superação.

Após as famosas fotos e os devidos parabéns, era hora de partir para a outra missão!

Glória e Andrea: Nossas estreantes!

Ponto-chave

Na prova, há um local onde os atletas dos 52k passam quando estão subindo no km 18 e descendo no km 36. É um ponto chave da prova. Como o acesso de carro é bem fácil, muitas pessoas vão pra lá acompanhar. Obviamente nós não fizemos diferente, não sem antes passar no mercado e comprar alguns suprimentos.

Chegando lá, o Luiz Claudio já havia passado. Ficamos felizes e preocupados ao mesmo tempo, pois se por um lado ele estava num ritmo muito bom, por outro nós não estávamos lá pra apoiar. Logo, nossos amigos foram passando fomos ajudando, não apenas com a troca de tênis, roupa, comida e etc. Mas principalmente com incentivo. Todos estavam bem!

Dali pra frete era o pior ponto da prova, onde os atletas tinham que subir até o temido morro da igreja e voltar. Famoso pela sua inclinação e pelo seus ventos uivantes e gélidos, o morro da igreja é capaz de fazer muita gente desistir da prova. Foram momentos de tensão até que nossos amigos começassem a descer de volta.

Durante esta espera, vimos mais um sem número de lindas cenas de companheirismo e superação. Cada um ajudando o outro, não importava quem fosse. Teve um rapaz que desceu meio que desnorteado falando “aquilo ali lá em cima parece um filme de terror, é muito vento!”

Como já era esperado, O Luiz Cláudio desceu primeiro, um pouco mais de 1 hora na frente dos demais amigos. Todos estavam muito bem, graças a Deus. Era hora de descer pra completar nossa missão!

Aguardando os atletas no ponto-chave.

 

A chegada

Descemos o morro e nos posicionamos bem na chegada. Era hora de receber os guerreiros que completavam os temidos 52k do Desafrio Urubici!

E assim chega ao final mais um episódio da nossa saga!

Não perca, o terceiro e último capitulo desta grande aventura que foi o Desafrio Urubici 2017.

Até a próxima!

 

 

 

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